A disputa promete ser uma das mais fragmentadas da história política mineira — e já causa rachas em partidos da direita.
Faltando menos de um ano para as eleições de 2026, Minas Gerais virou um verdadeiro tabuleiro político. Pelo menos 14 nomes já se articulam para disputar as duas vagas ao Senado, em uma corrida marcada por divisões internas, alianças incertas e disputas de ego.
Segundo levantamento do Estado de Minas, a direita chega dividida e a esquerda tenta se reorganizar, abrindo espaço para surpresas.
Direita fragmentada: o PL em guerra interna
O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrenta uma das maiores crises regionais.
Apesar de Domingos Sávio ter sido o nome oficialmente “abençoado” por Bolsonaro, outros quatro nomes do partido mantêm suas pré-candidaturas: Eros Biondini, Cristiano Caporezzo, Zé Vitor, Vile dos Santos e o comunicador Marco Antônio “Superman”, apadrinhado por Nikolas Ferreira.
Nos bastidores, um integrante do partido resumiu:
“Hoje o PL não tem prévia, tem briga. O risco é repetir 2022, quando faltou unidade e todo mundo saiu perdendo.”
A confusão aumentou depois que Marcel Van Hattem (Novo-RS) cogitou levar “Superman” para o Novo, expondo ainda mais a falta de coesão no bolsonarismo mineiro.
Republicanos e o “efeito Cleitinho”
Enquanto o PL se divide, o Republicanos tenta repetir a estratégia que deu certo em 2022.
O deputado Euclydes Pettersen, presidente estadual da sigla, foi lançado com apoio direto do senador Cleitinho Azevedo.
A aposta é na narrativa da renovação e proximidade com o eleitor comum, o mesmo discurso que fez Cleitinho despontar do interior mineiro para o Senado.
Silveira, Pacheco e o impasse no PSD
No PSD, reina a incerteza.
Alexandre Silveira, que perdeu a reeleição em 2022, tenta voltar ao jogo, mas enfrenta resistências.
Já Rodrigo Pacheco, atual presidente do Senado, avalia dois caminhos: disputar o governo de Minas ou aceitar uma possível indicação de Lula ao STF.
Segundo aliados, Pacheco deve bater o martelo até o fim do ano.
Esquerda busca unidade
Do lado da esquerda, o PT aposta em dois nomes de peso:
- Reginaldo Lopes, deputado federal e aliado próximo de Lula, e
- Marília Campos, prefeita de Contagem, com forte base popular e bom desempenho administrativo.
O partido precisa escolher entre experiência e renovação.
Já o PSOL analisa o nome de Áurea Carolina, deputada ligada às pautas da juventude e da diversidade.
Outros nomes na disputa
- Marcelo Aro (PP) tenta nova chance, após ficar em terceiro lugar em 2022.
- Carlos Viana (Podemos), atual senador, busca reeleição.
- Mauro Heringer (PDT) também aparece como possível candidato, podendo costurar alianças de centro-esquerda.
Cenário imprevisível
Com tantos nomes, a fragmentação pode abrir espaço para outsiders — e tornar Minas um dos estados mais disputados de 2026.
Especialistas alertam: “O excesso de pré-candidaturas enfraquece os próprios partidos e pode diluir o voto conservador”, diz o cientista político Lúcio Mauro Costa.Em resumo
- 14 pré-candidatos já se movimentam em Minas Gerais.
- PL vive guerra interna entre bolsonaristas.
- Republicanos aposta no “efeito Cleitinho”.
- PSD e PT ainda definem rumos.
- Eleição promete forte disputa por duas cadeiras no Senado.
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Redação
Imagem de capa: Plenário do Senado Federal com bandeira do Brasil ao fundo — crédito: Jonas Pereira/Agência Senado
Fonte principal: Estado de Minas (reportagem de Ana Mendonça, 27/10/2025)



