A visita não é o risco — o risco é o discurso de Lula na cúpula da Celac
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo para Santa Marta, na Colômbia, onde participa da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com a União Europeia. Oficialmente, o objetivo é discutir integração regional, meio ambiente e cooperação econômica. Mas nos bastidores da diplomacia, a movimentação desperta atenção — e apreensão — especialmente em Washington.
A Celac, historicamente, reúne governos de orientação diversa, mas tem entre seus integrantes países que mantêm confrontos diretos, ideológicos e comerciais com os Estados Unidos, como Venezuela, Cuba e Nicarágua. Quando o Brasil aparece nessas mesas, a leitura política norte-americana costuma ir além do protocolo: o Brasil estaria se colocando mais próximo do eixo latino “independente” da influência de Washington.
Este encontro ocorre num momento delicado. Os EUA vivem um ano pré-eleitoral, com ambiente interno polarizado e uma agenda externa mais rígida. Ao mesmo tempo, o Brasil tenta avançar em acordos estratégicos com Washington em áreas como energia limpa, defesa, tecnologia e até abertura comercial para o agronegócio. Qualquer gesto de Lula que seja interpretado como aproximação de governos considerados adversários pela Casa Branca pode gerar ruído e atrasar agendas de interesse econômico brasileiro.
Fontes ligadas à diplomacia europeia também demonstram preocupação. A União Europeia espera uma cúpula técnica, voltada a comércio e clima. Se o debate se tornar ideológico, o bloco europeu tende a esfriar o entusiasmo. Se a Europa esfria, os Estados Unidos tendem a recuar também.
Por isso, como afirmam analistas, o problema não é a presença do Brasil no encontro. O problema é o tom do discurso. Se Lula focar em integração econômica e cooperação ambiental, o efeito é neutro ou até positivo. Mas se o presidente decidir fazer defesa pública de líderes como Maduro, ou endurecer críticas contra Washington e o Ocidente, aí sim o encontro pode custar caro — diplomaticamente e comercialmente.
O desafio é simples e decisivo: A visita não é o risco. O risco é o discurso.
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Redação
Fontes consultadas: Gazeta Brasil, Reuters, O Bastidor, chancelerias latino-americanas, análises de diplomatas brasileiros aposentados.



