China suspende importação de carne de três frigoríficos brasileiros após detectar hormônio proibido

por Aloísio Moreira

A decisão das autoridades sanitárias da China de suspender temporariamente as importações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros acendeu um alerta no setor agropecuário nacional e reacendeu o debate sobre controle sanitário e fiscalização nas exportações de proteína animal.

A medida foi adotada pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), órgão responsável pelo controle alfandegário e sanitário do país asiático, após a identificação de resíduos de acetato de medroxiprogesterona em produtos enviados por unidades brasileiras.

As plantas afetadas pertencem à JBS, localizada em Pontes e Lacerda (MT), à PrimaFoods, em Araguari (MG), e à Frialto, em Matupá (MT).

Segundo informações divulgadas por autoridades chinesas, a suspensão entrou em vigor na quarta-feira (20). As habilitações das unidades foram retiradas do sistema oficial chinês de registro de exportadores de alimentos, impedindo temporariamente novos embarques ao mercado asiático.

Substância é proibida na carne destinada ao consumo humano na China

De acordo com o comunicado enviado ao governo brasileiro, o motivo da suspensão foi a presença de acetato de medroxiprogesterona nas cargas exportadas. O composto é um hormônio sintético utilizado em tratamentos veterinários ligados ao controle reprodutivo animal.

Embora o uso da substância seja permitido em determinadas aplicações veterinárias em alguns países, a legislação chinesa proíbe sua utilização em animais destinados ao abate para consumo humano.

O Ministério da Agricultura brasileiro foi oficialmente comunicado pela adidância agrícola em Pequim, que encaminhou o alerta ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa).

Até a publicação desta reportagem, nem as empresas envolvidas nem o Ministério da Agricultura haviam divulgado posicionamento oficial sobre o caso. O espaço segue aberto para manifestações.

Caso amplia pressão sobre fiscalização sanitária

Com a nova decisão, sobe para quatro o número de frigoríficos brasileiros suspensos pela China em 2026 sob suspeita de presença do hormônio em produtos exportados.

Em abril, a Frigosul, por meio da unidade Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda., em Várzea Grande (MT), também teve exportações barradas após detecção semelhante em um lote de carne bovina congelada desossada.

Especialistas do setor avaliam que episódios desse tipo podem gerar impactos comerciais relevantes, especialmente porque a China permanece como principal destino da carne bovina brasileira. O país asiático responde por parcela significativa das exportações nacionais do setor, tornando o cumprimento rigoroso de protocolos sanitários um fator estratégico para a manutenção da competitividade internacional.

Nos bastidores do agronegócio, a expectativa agora é pela abertura de investigações técnicas para identificar a origem da contaminação apontada pelos chineses e avaliar possíveis medidas corretivas.

Relação comercial estratégica

Apesar das suspensões pontuais, analistas observam que a relação comercial entre Brasil e China no agronegócio segue sólida. No entanto, casos envolvendo barreiras sanitárias costumam exigir respostas rápidas das autoridades brasileiras para evitar ampliação das restrições e preservar a confiança do mercado externo.

O episódio também reforça a crescente rigidez dos controles sanitários internacionais, especialmente em mercados de grande consumo e alta exigência regulatória.

Redação

Com informações Direita OnLine

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