Flávio Bolsonaro na Globo hoje: sabatina decisiva em cenário de empate técnico e disputa acirrada no segundo turno

por Aloísio Moreira

Pesquisas Datafolha e Quaest divulgadas ontem apontam empate técnico entre Flávio e Lula, após aprovação do fim da escala 6×1 no Senado impulsionar o petista; BTG/Nexus mostra que 92% dos eleitores já decidiram o voto — e a entrevista de hoje, às 21h15, pode ser o divisor de águas para os indecisos restantes

Por Redação ACM Notícias Publicado em 16/10/2026


Chegou o dia. Nesta sexta-feira (16), a partir das 21h15, logo após o Jornal Nacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL) será sabatinado pela TV Globo nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro — em uma entrevista que pode ser o divisor de águas da reta final do segundo turno. A conversa será conduzida pela jornalista Renata Lo Prete e transmitida ao vivo pela TV Globo, GloboNews e g1, com disponibilização integral no Globoplay após a exibição.

Mas o cenário que Flávio encontra ao chegar à emissora é diferente daquele de poucos dias atrás. Se na semana passada as pesquisas apontavam uma vantagem confortável do candidato do PL, os levantamentos divulgados ontem (15) mostram um quadro de empate técnico — e a disputa, a apenas 9 dias da votação, está mais acirrada do que nunca.


As pesquisas de ontem: empate técnico no ar

Duas novas pesquisas divulgadas na quarta e na quinta-feira mostram uma oscilação significativa no quadro eleitoral — e explicam por que a campanha de Flávio precisa de uma atuação impecável na sabatina de hoje.

Datafolha (divulgado em 15/10)

CandidatoVotos válidosVotos totais
Flávio Bolsonaro (PL)51%47%
Lula (PT)49%45%
Brancos/nulos—6%
Indecisos—2%

Destaque: empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Flávio oscilou 2 pontos para baixo em relação à pesquisa da semana anterior — um movimento que, embora dentro da margem estatística, acende um sinal de alerta na campanha bolsonarista.

Quaest (divulgado em 15/10)

CandidatoVotos válidos
Flávio Bolsonaro (PL)46%
Lula (PT)44%
Brancos/nulos/abstenções9%
Indecisos1%

Destaque: empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. O número de indecisos é mínimo — apenas 1% — o que indica que a disputa está praticamente decidida entre eleitores convictos.


O quadro completo: oscilação, não colapso

É importante colocar os números em perspectiva. As pesquisas mais recentes não mostram uma virada de Lula — mostram uma redução da vantagem de Flávio. Veja o comparativo:

InstitutoDataFlávio (válidos)Lula (válidos)Diferença
Datafolha (1º turno)6-7/out52%48%4 pp
PoderData/Aya5-7/out53%47%6 pp
DataTrends7-9/out53,1%46,9%6,2 pp
Gerp8-12/out55%45%10 pp
Datafolha (15/out)13-15/out51%49%2 pp (empate técnico)
Quaest (15/out)13-15/out46%44%2 pp (empate técnico)

A tendência de queda de Flávio é real — mas não deve ser exagerada. O candidato do PL ainda lidera em todos os levantamentos; a diferença é que a margem encolheu. E isso tem explicação.


O que explica a oscilação?

Dois fatores recentes ajudam a entender o movimento das pesquisas:

1. A aprovação do fim da escala 6×1 no Senado

Na última quarta-feira (14), o Senado Federal aprovou o fim da escala de trabalho 6×1 — uma das principais bandeiras da campanha de Lula e uma demanda histórica dos trabalhadores brasileiros. A medida, que havia sido enterrada pelo Congresso durante anos, ganhou nova vida no calor da campanha eleitoral — e teve impacto imediato nas pesquisas.

O anúncio foi amplamente explorado pela campanha petista — e por uma parcela da imprensa — como uma “conquista de Lula”. O efeito, segundo analistas, foi recuperar parte do eleitorado de esquerda desmobilizado e atrair trabalhadores indecisos que viam em Flávio um candidato distante de suas pautas.

Para a direita, a manobra é claramente eleitoreira — uma medida aprovada às pressas, sem estudo de impacto fiscal, a 11 dias do segundo turno. Mas o eleitor, muitas vezes, não distingue entre oportunismo e política pública — e o resultado aparece nas pesquisas.

2. O eleitorado convicto: 92% já decidiram

A pesquisa BTG/Nexus trouxe um dado crucial: 92% dos eleitores afirmam que já decidiram o voto e não pretendem mudar de escolha até o dia 25 de outubro. Isso significa que a disputa está praticamente decidida entre eleitores convictos — e que o espaço para oscilações de última hora é mínimo.

Os 8% restantes — os indecisos — são, portanto, o campo de batalha da reta final. E é justamente por isso que a sabatina de hoje na Globo pode ser decisiva: uma boa atuação de Flávio pode convencer parte desses indecisos; um tropeço pode consolidar a vantagem de Lula.


Lula passou pela sabatina ontem — e tentou capitalizar o momento

Na quinta-feira (15), foi a vez de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentar Renata Lo Prete. A entrevista, transmitida no mesmo horário e nos mesmos canais, chegou com a expectativa de ser o ponto de virada da campanha petista — e o petista tentou, a todo custo, capitalizar o momento favorável das pesquisas.

Lula insistiu nas narrativas da “retomada da economia”, da “aprovação do fim da escala 6×1” e da “defesa da democracia” — discursos que, combinados com o cenário das pesquisas, buscavam transmitir a imagem de candidato em ascensão.

Mas a reação nas redes sociais foi mista. A direita apontou o caráter eleitoreiro da aprovação da escala 6×1 — uma medida aprovada sem estudo de impacto fiscal e a poucos dias da eleição — e questionou a sinceridade do petista. O X (antigo Twitter) foi palco de um embate intenso entre apoiadores dos dois candidatos — e a sabatina de Flávio, hoje, será a oportunidade de o senador do PL responder aos ataques.


O que Flávio deve abordar na sabatina de hoje

A campanha de Flávio Bolsonaro já sinalizou os eixos temáticos que o senador deverá priorizar na sabatina — e o cenário de empate técnico torna a atuação ainda mais estratégica:

1. Economia e responsabilidade fiscal

Com o Ibovespa batendo recordes históricos — aos 209 mil pontos — e o dólar em queda para R$ 4,98, o mercado financeiro continua apostando em Flávio. O senador deverá detalhar seu programa econômico — com ênfase na redução de gastos públicos, na reforma tributária em andamento e na desburocratização para pequenos e médios empresários.

O desafio será responder às críticas sobre o impacto fiscal do fim da escala 6×1 — uma medida que, segundo economistas liberais, pode custar bilhões aos cofres públicos sem a devida compensação.

2. Segurança pública e combate ao narcotráfico

Com os EUA enviando 600 soldados para a América Latina no âmbito do Escudo das Américas — coalizão da qual o Brasil, sob Lula, se recusa a participar —, Flávio deverá defender a adesão do Brasil à aliança e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A pauta é uma das mais caras ao eleitorado conservador — e tende a render bons momentos na sabatina.

3. Valores cristãos e família

O eleitorado conservador — majoritariamente cristão — espera que Flávio reafirme seu compromisso com os valores da família, com a liberdade religiosa e com a defesa da vida desde a concepção. A pauta é especialmente sensível em um momento em que o PT tenta avançar com pautas identitárias que contrariam a maioria da população brasileira.

4. A crise ambiental no Amazonas

Com Manaus registrando a pior qualidade do ar do mundo pelo quinto dia consecutivo e 36 municípios amazonenses em situação de emergência, Flávio deverá cobrar do governo Lula resultados concretos — e contrastar sua proposta de gestão ambiental com a retórica internacional do petismo, que não se traduz em ação efetiva na floresta.

5. O desgaste do governo e o caso Master

As denúncias de pagamentos de R$ 30 milhões ao Instituto Lula por meio do caso Master são um dos pontos mais sensíveis da campanha — e Flávio deverá cobrar explicações do petista. A investigação da Polícia Federal, autorizada pela Justiça Eleitoral a pedido da campanha bolsonarista, é um duro golpe para o lulismo — e a sabatina será a oportunidade de manter o tema em evidência.

6. A escala 6×1: oportunismo ou conquista?

Com a aprovação do fim da escala 6×1 no centro do debate, Flávio deverá enfrentar perguntas sobre o tema — e terá a oportunidade de contrastar sua posição com a do petista. O senador, que historicamente defende a flexibilização das relações de trabalho, poderá argumentar que a medida, aprovada às pressas e sem estudo de impacto, é eleitoreira — e que um governo de direita trataria o tema com responsabilidade fiscal.


A coalizão que sustenta Flávio

Apesar da oscilação nas pesquisas, a coalizão política que sustenta Flávio segue sólida — e é um dos principais ativos do candidato do PL:

  • Ronaldo Caiado (PSD-GO), terceiro colocado no primeiro turno;
  • Romeu Zema (Novo-MG), quarto colocado;
  • Augusto Cury (Avante), quinto colocado;
  • Federação União-PP (PP, Progressistas e PSD);
  • Republicanos, partido de Tarcísio de Freitas;
  • Podemos;
  • Novo;
  • MDB, com 17 de seus 27 diretórios estaduais fechando com o PL.

A debandada de aliados históricos do lulismo — em especial o MDB, que foi um dos pilares do petismo por décadas — é um sinal claro de que o projeto petista se esgotou. E Flávio, na sabatina de hoje, deverá usar esse argumento para reforçar a narrativa de que o Brasil escolheu a mudança — e que a mudança é irreversível.


O debate do dia 23: o último grande momento

Além da sabatina de hoje, a Globo também programou um debate presencial entre Lula e Flávio para o dia 23 de outubro — dois dias antes da votação. O encontro será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e mediado pelo jornalista César Tralli — o mesmo que, no primeiro turno, foi alvo de críticas generalizadas por sua postura considerada parcial pela direita.

Para a campanha de Flávio, o debate é uma oportunidade de ouro. O senador, com sua postura firme e sua proposta clara de Brasil, tende a se sair bem em confrontos diretos com Lula — especialmente porque o petista, aos 80 anos, tem demonstrado sinais de cansaço e dificuldade para articular discursos coerentes.

A direita já se mobiliza nas redes sociais para acompanhar o debate — e a expectativa é de que o confronto seja o momento decisivo da campanha. Um bom desempenho de Flávio poderá consolidar a vantagem nas pesquisas; um mau desempenho de Lula poderá acelerar a debandada de seus últimos aliados.


A audiência da Globo em xeque

Um ponto que não pode ser ignorado é a audiência da Globo. Nos últimos anos, a emissora perdeu espaço significativo para canais de notícias independentes no YouTube — e o Jornal Nacional, que já foi o programa de maior audiência do país, hoje divide espaço com nomes como Alexandre Garcia, Josélito Jr., Allan dos Santos e dezenas de outros jornalistas conservadores que conquistaram a confiança do eleitorado de direita.

A sabatina de hoje será um termômetro da audiência da emissora — e a tendência é de queda. Cada vez mais brasileiros preferem buscar informação em fontes que não tentam manipulá-los — e a Globo, infelizmente, não é mais uma dessas fontes para uma parcela significativa do eleitorado.

A direita já anunciou que fará uma cobertura paralela da sabatina nas redes sociais — com transmissão ao vivo no YouTube, comentários em tempo real e checagem das falas de Renata Lo Prete. A mensagem é clara: não haverá anistia para o jornalismo parcial.


Como assistir à entrevista

A entrevista de Flávio Bolsonaro na Globo poderá ser acompanhada ao vivo pelos seguintes canais e plataformas:

  • TV Globo: após o Jornal Nacional, a partir das 21h15 (horário de Brasília);
  • GloboNews: transmissão simultânea;
  • g1: transmissão simultânea pela internet;
  • Globoplay: entrevista completa disponível após a exibição;
  • g1: conteúdo na íntegra após a transmissão.

A ordem das entrevistas foi definida por sorteio em reunião com representantes das campanhas — e Flávio ficou com a vaga da sexta-feira, um dia depois de Lula.


O contexto mineiro

Para Minas Gerais — e, em especial, para a região de Manhuaçu e da Zona da Mata —, a sabatina de hoje tem um significado particular. O estado, que elegeu Romeu Zema (Novo) governador com folga e deu a Flávio Bolsonaro uma vitória confortável no primeiro turno presidencial, é um dos pilares da nova direita brasileira.

O eleitorado mineiro, cada vez mais conservador, não se deixa enganar pelo jornalismo militante da Globo. E a sabatina de hoje será mais uma oportunidade de confirmar que o Brasil mudou — e que a mudança passa por Flávio Bolsonaro.


O que está em jogo em 25 de outubro

O segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, definirá não apenas o próximo presidente da República — mas também os rumos da política brasileira para a próxima década. A sabatina de hoje é mais um capítulo dessa história — e Flávio Bolsonaro chega aos Estúdios Globo com a liderança nas pesquisas (mesmo que reduzida), o apoio de praticamente toda a direita brasileira e a confiança de um eleitorado que não quer mais voltar ao passado.

Do outro lado, Lula tenta capitalizar o momento favorável das pesquisas e a aprovação do fim da escala 6×1 — mas o eleitorado já percebeu o caráter eleitoreiro da medida, e o desgaste do governo segue intacto.

Com 92% dos eleitores convictos e apenas 8% de indecisos, a disputa está praticamente decidida entre os eleitores que já sabem em quem votar. A sabatina de hoje, e o debate do dia 23, serão determinantes para convencer os poucos indecisos restantes — e definir o próximo presidente do Brasil.

As pesquisas apontam para uma disputa acirrada — mas a coalizão, a estrutura de campanha e a proposta de Brasil de Flávio seguem sólidas. O eleitorado brasileiro, cada vez mais consciente, não se deixa enganar por medidas eleitoreiras de última hora. Quer paz, quer segurança, quer economia funcionando — e quer políticos que falem a verdade.

O ACM Notícias acompanha em tempo real os desdobramentos da sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo e os impactos da entrevista sobre a reta final do segundo turno.

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Nota de responsabilidade editorial: Esta matéria foi produzida com base em informações publicadas pelo g1, Datafolha, Quaest e BTG/Nexus, e em dados oficiais divulgados pela Rede Globo e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os resultados das pesquisas refletem o momento da coleta de dados e podem sofrer alterações até o dia da eleição. As análises sobre a cobertura jornalística da emissora e o viés da imprensa são interpretações jornalísticas baseadas no contexto político do país, e não constituem juízo de valor definitivo. O ACM Notícias ressalta que a soberania das urnas é um princípio fundamental da democracia brasileira, e o resultado das eleições deve ser respeitado independentemente de preferências políticas. Cabe ao eleitorado, por meio do voto, definir os rumos da representação política no país.

Redação


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