Batalha musical nas eleições: o duelo entre os cantores na política

Batalha musical nas eleições: o duelo entre os cantores na política

Artistas de direita têm erguido a voz

Engana-se quem pensa que batalha musical só ocorre com letras de músicas. Quer seja no palco, quer seja no universo digital, cada vez mais artistas sentem-se confortáveis para expressar suas preferências político-eleitorais.

A cantora Anitta, que coleciona um longo histórico de troca de farpas com o presidente Jair Bolsonaro nas mídias sociais, recentemente escreveu que “os símbolos nacionais pertencem aos brasileiros e que ninguém deveria se apropriar deles”, em referência ao presidente, a quem se atribui a utilização das cores do Brasil na campanha política.

Em seguida, Bolsonaro respondeu à cantora: “Concordo com Anitta”. Na sequência, a funkeira bloqueou o presidente no Twitter.

Já a equipe de marketing do presidente parece se divertir com os ataques da cantora. Desde abril deste ano, Bolsonaro tem feito diversas publicações no Instagram com músicas de artistas, como Anitta, Lulu Santos, Caetano Veloso e Daniela Mercury — em comum, todos já se posicionaram contra o presidente. Caetano até ameaçou processar Bolsonaro pelo uso de sua canção.

E não são somente esses artistas que se posicionaram contra Bolsonaro. O cantor e drag queen Pabllo Vittar aproveitou a apresentação no Lollapalooza para declarar oposição ao presidente. Pabllo desfilou com a bandeira de Lula e, ao final de seu show, gritou “Fora Bolsonaro”.

A cantora Luiza Sonza, em entrevista à revista Ela, em fevereiro de 2022, disse que seu maior sonho é que Bolsonaro saia do poder. Em maio deste ano, a cantora desfilou no palco durante um show com uma toalha do ex-presidente Lula.

A ‘voz’ da direita

Se nessa batalha musical há vozes se manifestando contra o presidente Bolsonaro, a favor de pautas à esquerda, artistas de vários estilos musicais têm se tornado porta-vozes do pensamento liberal-conservador e favoráveis ao atual governo.

No início deste mês, o cantor Zé Neto, da dupla sertaneja Zé Neto & Cristiano, tornou-se um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Isso porque, durante um show na cidade de Sorriso, em Mato Grosso, Zé Neto disse que não dependia de Lei Rouanet e ironizou uma tatuagem íntima de Anitta, sem citar o nome da cantora, em discurso que, segundo os internautas, seria de apoio a Bolsonaro.

“O nosso cachê quem paga é o povo”, disse o cantor. “Simplesmente viemos aqui e cantamos.” A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) compartilhou a fala do cantor e o parabenizou.

Nas redes sociais, Zé Neto se pronunciou. “Não citei o nome de ninguém. O engajamento está top“, disse o cantor.

O cantor Latino, autor de sucessos musicais como Festa no Apê e Renata, se manifestou em apoio a Zé Neto. “Faço shows há 30 anos sem ganhar um centavo de mentoria da oposição”, escreveu Latino.

Latino declarou apoio ao presidente em março do ano passado, durante uma visita a Bolsonaro e Fábio Faria, ministro da Comunicação, no Palácio do Planalto. “O meu Brasil é verde e amarelo e é de todos os brasileiros”, escreveu.

Já o cantor de axé Netinho — autor de Milla, grande sucesso nos anos 1990 — assumiu apoio ao presidente logo após o atentado em que Bolsonaro recebeu uma facada, em setembro de 2018.

O cantor quase morreu devido a uma intoxicação no fígado provocada pelo uso excessivo de anabolizantes. Netinho sofreu três AVCs; hidrocefalia, que é o acúmulo de líquido no cérebro; trombose; coágulos sanguíneos na pele; perdeu 50 quilos; entrou em coma e chegou a pensar em suicídio.

“Estava tocando violão em casa quando ouvi na televisão que Jair Bolsonaro tomou uma facada na barriga”, disse o cantor, que agora é pré-candidato a deputado estadual pela Bahia. “Ele havia passado por uma cirurgia parecida com a laparotomia, também fiz ela (sic) há alguns anos.” A laparotomia é uma cirurgia de corte no abdômen.

Netinho entrou em contato com Flávio Bolsonaro, filho do presidente. O cantor queria conversar com Bolsonaro, e foi bem recebido pelo chefe do Executivo. “Me encantei com ele, foi supersincero”, disse.

The voice eleitoral

De acordo com Netinho, foi a receptividade e a amizade com Bolsonaro que o incentivaram a se interessar pela política. Depois do encontro, o cantor de axé começou a ler obras como as do economista e ideólogo do socialismo Karl Marx e do autor italiano e um dos fundadores do Partido Comunista na Itália Antonio Gramsci. “Entendi o propósito de Gramsci para o Ocidente, que mirava a educação e ca ultura”, disse Netinho.

Segundo o cantor, foram esses estudos que o fizeram entender o Brasil e a se indignar com a Lei Rouanet. Para ele, a lei deve ser usada para ajudar artistas que não têm condições financeiras, em vez dos grandes nomes da música nacional, que já são ricos. “Um artista pode ter um produto artístico lindo, com um caráter podre”, afirmou Netinho.

O cantor Digão, da banda de rock Raimundos — famosa na década de 1990 —, também manifestou apoio publicamente ao presidente Bolsonaro. A banda continua fazendo shows até os dias atuais e é uma das grandes responsáveis por introduzir o rock and roll na vida de muitos adolescentes da época.

Para Digão, os artistas que apoiam a esquerda são hipócritas. “Eles fecharam os olhos para tudo o que aconteceu no governo Lula”, disse Digão. “O Lula não foi inocentado. Não é inocente.”

O cantor afirma que sofreu ataques por se posicionar a favor do presidente. Digão explica que os artistas que são contra Bolsonaro se beneficiaram, e muito, da Lei Rouanet. Para ele, a legislação é importante, mas deveria servir para aqueles artistas que estão no início da carreira e não têm condições financeiras.

The Voice eleitoral

“Essa lei virou patrocinadora de artistas que já são muito ricos e famosos”, disse Digão. “Virou uma máquina pública usada para enriquecer quem já era conhecido.”

O cantor afirma que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, o meio artístico não é formado apenas por pessoas de esquerda. Ele cita James Hetfield, vocalista da banda de heavy metal Metallica, que é de direita. E até mesmo Tomás Araya, vocalista da banda de thrash metal Slayertambém de direita.

‘Capitão do Povo’

Além do apoio público de cantores de diversos estilos musicais, Bolsonaro recebeu uma homenagem da dupla sertaneja Mateus e Cristiano na semana passada.

A música Capitão do Povo foi apresentada em primeira mão em uma transmissão nas redes sociais de Bolsonaro, que estava acompanhado de Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa, e de Luciano Hang, dono das lojas Havan.

A canção composta pela dupla sertaneja diz que o presidente vai vencer as eleições deste ano e ainda declara o lema de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Por Revista Oeste

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