“Não falei nem 1% do que eu sei”: Roberta Luchsinger promete delação e acusa Lula de proteger filho em esquema de influência no Planalto

por Aloísio Moreira

Em entrevista explosiva à CNN Brasil, lobista afirma que Lulinha se reuniu “inúmeras vezes” com ministros, cita encontros na casa de Camilo Santana no Ceará, denuncia contrato de R$ 2 bilhões da Mota-Engil com vizinho do filho do presidente e diz que Lula “mente o tempo inteiro”; Planalto rebate e chama denúncias de “manipulação eleitoral” a 6 dias do 2º turno

Por Redação ACM Notícias Publicado em 19/10/2026


A seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, uma bomba política veio à tona no fim de semana — e promete ecoar até o dia da votação. A empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada no âmbito da Operação Sem Desconto da Polícia Federal, concedeu entrevista exclusiva à CNN Brasil, exibida no sábado (17) no CNN Prime Time, e fez uma série de acusações graves contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Na entrevista, conduzida pelos jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco, Roberta afirmou que Lulinha se reuniu “inúmeras vezes” com ministros do governo Lula — contrariando a versão pública do presidente —, citou encontros na casa do ministro da Educação, Camilo Santana, no Ceará, denunciou um contrato de R$ 2 bilhões da construtora Mota-Engil com o governo federal e revelou que tem intenção de fechar acordo de delação premiada com a Polícia Federal e o Ministério Público.

A frase que sintetiza o tom da entrevista veio em publicação no Instagram neste domingo (18), após a repercussão:

“O que eu disse não foi nem 1% do que eu sei.”


As principais revelações da entrevista

1. “Lulinha sentou com ministros inúmeras vezes”

A acusação mais direta de Roberta foi contra a versão pública de Lula de que seu filho nunca teria se reunido com ministros do governo. Segundo a lobista, isso é mentira.

“É público, é notório que o Fábio Luiz, o Lulinha, inúmeras vezes esteve com ministros. Inclusive viajou para a casa do ministro Camilo, no Ceará. Então o Lula é um grande mentiroso quando ele fala: ‘Ela é uma pilantra, mas meu filho, não. É, meu filho jamais sentou com algum ministro’. O filho dele sentava semanalmente com o ministro, seja pra trocar figurinha, seja pra trocar qualquer outro tipo de diálogo.”

Roberta afirmou ainda que ela mesma se reunia com ministros para discutir políticas públicas — e que Lulinha, por conviver com ela diariamente, acompanhava parte dessas conversas.

“Eu sentava com ministros pra discutir pautas firmes, relativas à política pública. E isso tá aí no meu celular, que toda hora é vazado os dados brutos.”

2. A Mota-Engil, o vizinho de Lulinha e o contrato de R$ 2 bilhões

Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi a menção à construtora portuguesa Mota-Engil, que possui contratos bilionários com o governo federal. Segundo Roberta, o presidente da empresa no Brasil, Amauri Pinha, é vizinho de Lulinha — e teria se aproveitado dessa proximidade para fechar contratos vultosos.

“Quem se tornou presidente dessa empresa no Brasil é o vizinho dele. Amauri Pinha, vizinho do Fábio. […] Tem contrato de R$ 2 bilhões no Brasil. Durante este governo, e a partir do momento em que o amigo, o vizinho, entra na presidência da empresa, isso é questionável. Isso tem que ser questionado.”

Roberta afirmou que presenciou reuniões entre Lulinha e Amauri Pinha em sua própria casa.

“Já fizeram, já tiveram reunião sim. […] Com a minha presença, mas eu na sala, eles ali fazendo reunião. E não cabe a mim ouvir, se eu não for chamada, eu não vou escutar. Mas uma coisa que eu falo e eu repito: essa história do presidente Lula a todo momento dizer que não sabe de nada. Que não viu nada, que não sabe de nada. Isso é uma coisa absurda, porque o presidente da República sabe sim de tudo que acontece no governo dele.”

Questionada se havia suspeita de irregularidade no contrato, Roberta respondeu:

“Eu não tenho que suspeitar de nada porque eu não sou investigadora. […] O que eu estou dizendo é o que a mídia está dizendo, é o que está saindo toda hora. A cada momento a gente vê, igual vê meu nome, que conversou com o embaixador, conversou com o ministro, fez isso, fez aquilo.”

3. Ministros que a procuravam para pedir “favores”

Roberta afirmou que diversos ministros do primeiro escalão de Lula a procuravam para pedir ajuda em pautas internas — especialmente para conseguir agendas com Marcos Maciel (“Marcola”), então chefe de gabinete da Presidência.

“Muitos pediam apoio, principalmente em relação ao chefe de gabinete. Acho que devido à dificuldade que a maioria dos ministros têm hoje com o presidente, ou tinha naquela época, eles recorriam muito ao Fábio, a mim, para que ajudasse com Marcola a conseguir uma agenda ou a conseguir prioridade em algum projeto.”

Entre os ministros citados nominalmente por Roberta:

  • Camilo Santana (Educação);
  • Fábio Barchini (Educação);
  • Frederico (Comunicação Social);
  • Léo (Comunicação);
  • Berge;
  • Marcola.

“Recebia [ministros na casa de Brasília]. Eu nunca procurei muito ninguém. As pessoas me procuravam. […] Me procuravam para pedir favores, para conversar, para pedir ajuda.”

4. “Lula pode estar esclerosado”

Roberta não poupou o presidente — e foi além das acusações políticas. Questionada sobre se Lula sabia de sua existência e de sua proximidade com Lulinha, a lobista disparou:

“Ele sabe que eu existo. Óbvio que ele sabe que eu existo. […] Eu acho que a principal coisa que ele sabe, que ele tem certeza, é que a melhor amiga do filho dele sou eu. O filho dele vivia comigo, pra cima e pra baixo, para todo lado. Como ele não vai saber?”

E emendou, ecoando declaração recente do ex-senador Ciro Nogueira:

“Ele pode estar esclerosado e não se lembra, isso é normal, ele tá com 80 anos. Ele pode estar com alguma senilidade, ele não lembra. Ele nunca sabe de nada do entorno dele.”

5. Intenção de delação premiada

Talvez o ponto mais explosivo da entrevista tenha sido a declaração de Roberta sobre sua disposição em fechar acordo de delação premiada.

“Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, eu não tenho mãe presidente. Eu sou uma mulher com duas filhas e estou tendo uma máquina pública sendo movimentada em cima de mim, contra mim e contra duas filhas.”

Questionada sobre o que poderia oferecer em uma eventual delação, Roberta foi enfática:

“Eu não vou poupar nenhum detalhe, eu não vou poupar ninguém. Pode ser presidente da República, que, a meu ver, é um grande mau caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente, não vou poupar ninguém, porque o que está em questão é a verdade.”

Sobre o alcance das informações que poderia fornecer:

“Talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp. A vida da gente é no mundo normal. Você conversa com as pessoas, fala sobre projetos. Você sabe das coisas, assiste coisas, vê coisas, tem como colaborar, muitas das vezes, com coisas que você não participou, mas assistiu.”

6. Ameaças de morte e “boi de piranha”

Roberta afirmou receber cerca de 50 ameaças de morte por dia desde que Lula a chamou publicamente de “pilantra” — e disse que a filha mais nova sofreu bullying e teve as redes sociais invadidas.

“Se eu abrir meu celular, por dia, eu recebo em torno de 50 ameaças de morte. As minhas filhas tiveram as redes sociais invadidas, dizendo que seriam estupradas, esfaqueadas. São coisas pesadíssimas.”

E fez um alerta direto ao presidente:

“Qualquer coisa que acontecer comigo ou com as minhas filhas vai ter a digital do presidente da República, vai ter a mão do presidente da República, vai ter o X de sangue que ele fez na minha testa.”


A reação durante o debate da Band

No domingo (18), enquanto Lula e Flávio Bolsonaro se confrontavam no debate da TV Band, Roberta acompanhou a transmissão ao vivo e publicou um vídeo em seu perfil no Instagram reagindo às falas do presidente.

“Lula, tô acompanhando o debate e você está me chamando de mentirosa. Eu não sou a mentirosa aqui, não. Mentiroso é você, mentirosos são seus ministros que estão mentindo sobre a relação comigo e com seu filho. Mentirosos são pessoas que você diz serem da sua confiança. Eu não.”

Roberta reforçou que está colaborando com a Justiça e enfrentando três inquéritos da Polícia Federal sob segredo de Justiça.

“Eu sou uma mulher sozinha tentando provar a verdade. Estou enfrentando três inquéritos da Polícia Federal, tive busca e apreensão. Estou colaborando com a Justiça do jeito que me é pedido. Então, você não vai me chamar de mentirosa.”


A resposta de Lula no debate da Band

Durante o confronto com Flávio Bolsonaro no primeiro bloco do debate, Lula minimizou o peso das acusações de Roberta e jogou a responsabilidade para o âmbito policial.

“A Roberta é um caso da Polícia Federal e ela tem que ser investigada, tem que prestar depoimento. Quero ver no depoimento se ela vai contar as mentiras que ela contou ontem.”

O presidente sustentou que seu filho está à disposição dos investigadores.

“Lulinha já colocou seus sigilos à disposição dos investigadores.”


A nota do Planalto

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência emitiu nota oficial rebatendo as acusações de Roberta e classificando o timing das declarações como suspeito.

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta.”

E completou:

“Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores.”


O contexto eleitoral: a 6 dias do segundo turno

O timing das declarações de Roberta não poderia ser mais sensível. A seis dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, as acusações caem como uma granada no colo da campanha de reeleição de Lula — que já vinha enfrentando uma série de desgastes:

  • Inflação em alta, com o IPCA de setembro subindo 0,82%;
  • Crise ambiental no Amazonas, com Manaus registrando a pior qualidade do ar do mundo pelo quinto dia consecutivo e 36 municípios em situação de emergência;
  • Denúncias do caso Master, envolvendo supostos pagamentos de R$ 30 milhões ao Instituto Lula;
  • Oscilação nas pesquisas, com o instituto Gerp apontando Flávio Bolsonaro com 55% dos votos válidos contra 45% de Lula — uma diferença de 10 pontos percentuais;
  • Debandada de aliados históricos, com o MDB fechando com Flávio em 17 de seus 27 diretórios estaduais.

As acusações de Roberta, se comprovadas, podem agravar ainda mais o cenário para o petista — especialmente porque a lobista afirma ter provas documentais em seu celular apreendido pela Polícia Federal, e sinaliza disposição para formalizar delação premiada.


O que dizem as investigações

Roberta Luchsinger é investigada no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes e consignados no INSS envolvendo o empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e sua suposta relação com Lulinha.

Segundo a própria lobista, a Polícia Federal já deixou claro em seu inquérito que ela não tem relação com o escândalo do INSS.

“O que consta no meu inquérito, que já é público isso, é que a Polícia Federal deixa muito claro que eu, Roberta, não tenho absolutamente nada a ver com esse escândalo do INSS.”

Roberta foi alvo de mandados de busca e apreensão, teve bens e valores bloqueados e foi submetida ao uso de tornozeleira eletrônica. Seus sigilos bancário, fiscal e telefônico foram quebrados — e, segundo ela, todo o conteúdo já está à disposição da Justiça.

“Todos os meus sigilos a Justiça já tem acesso, a todo o meu celular, o WhatsApp, o que quiser. A minha vida, simplesmente, hoje, é um livro aberto.”


O silêncio de Lulinha

Um dos pontos mais curiosos da entrevista foi a menção de Roberta ao silêncio de Lulinha diante das acusações feitas por seu próprio pai.

“A partir do momento que o pai dele me chama de pilantra e me culpa por ‘N’ coisas, que não sou eu falando, tem o vídeo, ele que foi lá falar. E ele [Lulinha] não se manifesta, não se pronuncia, ele é um covarde como o pai. Porque o papel do amigo é ligar e falar a verdade: ‘Olha, pai, ela não é uma pilantra. A polícia tá investigando, se ela fez alguma coisa errada, se eu fiz alguma coisa errada, isso daí vai ser provado, a polícia está aí pra investigar’. A partir do momento que ele se cala, ele não foi meu amigo. Eu fui amiga dele, eu sou a vítima nessa história toda. Eles são cúmplices, eu sou a vítima.”

Roberta afirmou ainda que as noras de Lula a procuraram para dizer que ela não era pilantra — mas que o próprio presidente nunca fez nenhum questionamento interno sobre o caso.

“Eu tive as duas noras dele dizendo que eu não era pilantra, mas ele, não. Em momento nenhum dessa investigação a gente viu ele falar de homem algum. Em momento nenhum a gente viu envolvidos nesse caso sendo chamado de lobista, sendo chamado de bandido, sendo chamado de pilantra. Hora nenhuma. Agora, a todo momento, eu sou chamada de lobista, eu sou chamada de pilantra, eu sou chamada de vagabunda, eu sou chamada de tudo.”


A questão da Mota-Engil: o que se sabe

A Mota-Engil é uma das maiores construtoras de Portugal e possui operações significativas no Brasil. Segundo matérias publicadas pela revista Veja, a empresa fechou contratos bilionários com o governo federal durante a gestão Lula — e o presidente da Mota-Engil no Brasil, Amauri Pinha, seria vizinho de Lulinha em São Paulo.

Roberta afirmou que presenciou reuniões entre Lulinha e Amauri Pinha em sua casa — mas disse não ter participado das conversas.

“Já fizeram, já tiveram reunião sim. […] Com a minha presença, mas eu na sala, eles ali fazendo reunião.”

Questionada sobre a natureza dos encontros, Roberta foi direta:

“Eu acho que quando duas pessoas entram para uma reunião… alguma coisa elas estão tratando, porque se fosse algo social, sentava aqui, conversava, tomava um drink.”

A campanha de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações de Roberta — mas aliados do senador já sinalizam que o tema deverá ser explorado nos últimos dias de campanha.


O contexto mineiro

Para Minas Gerais — e, em especial, para a região de Manhuaçu e da Zona da Mata —, as acusações de Roberta têm um significado particular. O estado, que elegeu Romeu Zema (Novo) governador com folga e deu a Flávio Bolsonaro uma vitória confortável no primeiro turno presidencial, é um dos pilares da nova direita brasileira.

O eleitorado mineiro, cada vez mais conservador e atento aos escândalos de corrupção, tende a reagir com força a denúncias que envolvam o Planalto — especialmente quando elas partem de uma investigada que afirma ter provas documentais e disposição para fechar delação premiada.


O que está em jogo em 25 de outubro

O segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, já era considerado o mais acirrado da história recente do Brasil. As acusações de Roberta Luchsinger — se comprovadas — podem definir os rumos da disputa nos últimos seis dias de campanha.

De um lado, Lula — que tenta minimizar o caso, atribuir as acusações a “manipulação eleitoral” e confiar na lealdade de seus aliados.

Do outro, Flávio Bolsonaro — que pode se beneficiar politicamente do desgaste do petista, especialmente se as investigações avançarem e confirmarem parte das alegações da lobista.

As pesquisas mais recentes — incluindo o levantamento do instituto Gerp, que aponta Flávio com 55% dos votos válidos contra 45% de Lula — já indicavam uma vantagem confortável do senador do PL. As acusações de Roberta podem ampliar ainda mais essa diferença — ou, no mínimo, consolidar a tendência de queda do petista.

O ACM Notícias acompanha em tempo real os desdobramentos do caso Roberta Luchsinger e os impactos das acusações sobre a reta final do segundo turno.

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Nota de responsabilidade editorial: Esta matéria foi produzida com base em informações publicadas pela CNN Brasil, Gazeta Brasil e em dados oficiais divulgados pela Polícia Federal e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As acusações feitas por Roberta Luchsinger são de sua inteira responsabilidade e estão sendo apuradas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto. As análises sobre o impacto eleitoral das denúncias são interpretações jornalísticas baseadas no contexto político do país, e não constituem juízo de valor definitivo sobre a veracidade das alegações. O ACM Notícias ressalta que a soberania das urnas é um princípio fundamental da democracia brasileira, e o resultado das eleições deve ser respeitado independentemente de preferências políticas. Cabe ao eleitorado, por meio do voto, definir os rumos da representação política no país — e às autoridades competentes, apurar com rigor as denúncias apresentadas.


Redação

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