A produtividade da economia brasileira caiu 18,5% nos últimos 30 anos e retornou a um nível semelhante ao registrado em 1958, segundo levantamento do Conference Board, organização internacional dedicada a pesquisas econômicas. O estudo indica que o melhor desempenho histórico do país ocorreu em 1980 e, desde então, a produtividade passou por uma trajetória de queda.
A produtividade mede a capacidade de uma economia produzir mais bens e serviços utilizando a mesma quantidade de mão de obra, capital e tecnologia. O indicador é considerado um dos principais fatores para o crescimento sustentável da renda, dos salários e da competitividade de um país.
Outro estudo, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), aponta que entre 1996 e 2025 houve apenas um avanço modesto da produtividade do trabalho no Brasil, concentrado principalmente no setor agropecuário.
Segundo os pesquisadores, o agronegócio conseguiu elevar sua eficiência por meio da adoção de novas tecnologias, melhoramento genético, inovação e maior integração com o mercado internacional, contando também com pesquisas desenvolvidas pela Embrapa.
Apesar desses avanços pontuais, a participação do Brasil na economia mundial diminuiu nas últimas décadas. Dados do Banco Mundial mostram que o país representava 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) global em 1980. Em 2024, essa participação caiu para 2,1%.
Especialistas destacam ainda que parte do crescimento econômico observado nos últimos anos foi impulsionada pelo aumento da população economicamente ativa. Com o envelhecimento da população e a redução do chamado bônus demográfico, essa fonte de crescimento tende a perder força, tornando o aumento da produtividade ainda mais importante.
Principais desafios
Relatórios do Fórum Econômico Mundial (WEF) e do International Institute for Management Development (IMD) apontam seis fatores estruturais que dificultam o aumento da produtividade brasileira:
- Excesso de burocracia e complexidade regulatória;
- Baixa qualificação da mão de obra e desafios na educação;
- Deficiências em inovação e desenvolvimento tecnológico;
- Infraestrutura logística considerada insuficiente e onerosa;
- Baixa abertura comercial e reduzida competitividade internacional;
- Instabilidade macroeconômica, com impactos sobre investimentos.
Economistas avaliam que a superação desses obstáculos depende de investimentos em educação, inovação, infraestrutura, segurança jurídica e melhoria do ambiente de negócios.
O levantamento reforça que o aumento da produtividade é considerado um dos principais caminhos para elevar a competitividade da economia brasileira e promover crescimento econômico sustentável nas próximas décadas.
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Redação



