Mendonça é sorteado relator de pedido que pode travar ação que julga Bolsonaro

por Aloísio Moreira

Defesa de oficial preso há 10 meses pede suspensão da ação penal, anulação da delação de Mauro Cid e critica atuação do Supremo. Julgamento está marcado para terça-feira (2).

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça foi sorteado como relator de um habeas corpus que pode impactar diretamente o julgamento sobre a suposta tentativa de golpe de Estado, que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete acusados. A análise do caso está marcada para esta terça-feira (2).

O pedido foi protocolado na quarta-feira (27) pela defesa do tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, preso preventivamente desde novembro de 2024. Ele é apontado como integrante do “núcleo operacional” da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

Apesar de ter sido designado relator no dia seguinte ao protocolo, Mendonça — indicado ao STF pelo próprio Bolsonaro — ainda não despachou sobre o pedido.

O que pede a defesa

No habeas corpus, os advogados de Ferreira Lima pedem:

  • Suspensão imediata da ação penal;
  • Revogação da prisão preventiva;
  • Declaração de nulidade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência.

A defesa alega que os depoimentos de Cid são “repletos de contradições” e que a delação teria sido conduzida de forma irregular, com envolvimento direto do relator da investigação — o que, segundo os advogados, violaria o sistema acusatório e o princípio da imparcialidade do processo penal.

Fatos antigos, prisão mantida

Outro ponto central do habeas corpus é a chamada “falta de contemporaneidade” dos fatos. A defesa afirma que os supostos crimes ocorreram em 2022, e que Ferreira Lima vinha cumprindo medidas cautelares — como proibição de contato com outros investigados e de sair do país — sem qualquer violação.

A manutenção da prisão, segundo os advogados, é baseada em “alegações genéricas” e se tornou desproporcional.

Além disso, a defesa denuncia um suposto “excesso de prazo”, destacando que um recurso sobre a liberdade provisória do militar está há mais de seis meses pendente de julgamento na Primeira Turma do STF, o que caracterizaria “constrangimento ilegal”.

Julgamento à vista

O julgamento que envolve Bolsonaro e outros sete acusados por tentativa de golpe está mantido para o dia 2 de setembro. A depender da decisão de Mendonça no habeas corpus, o andamento do processo pode sofrer alterações significativas — inclusive com possibilidade de suspensão.

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Redação

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