Em menos de uma semana, Santander, Bradesco e Itaú reajustam taxas; poupança perde espaço como fonte de recursos e financiamentos estouram o teto do SFH, impedindo uso do FGTS; Caixa e Banco do Brasil, em silêncio, devem seguir o mesmo caminho; para o cafeicultor, o comerciante e a família manhuaçuense que sonha com a casa própria, a conta da reeleição de Lula já chegou — e vem em forma de prestação mais cara, juros mais altos e menos acesso ao crédito
Por Redação ACM Notícias Publicado em 30/10/2026 — 9h15
A conta da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a chegar — e não chegou sob a forma de discurso, de slogan ou de promessa. Chegou sob a forma de juros mais altos, de prestações mais caras e de sonhos adiados para milhões de brasileiros que, nos últimos dias, viram a porta da casa própria se fechar um pouco mais.
Nesta sexta-feira (30), o Santander tornou-se o terceiro dos três maiores bancos privados do Brasil a anunciar aumento nas taxas de juros do financiamento imobiliário — em um intervalo inferior a uma semana após o segundo turno das eleições presidenciais.
A sequência é reveladora:
- Segunda-feira (26): Bradesco inicia os reajustes, com acréscimo de 3,3 pontos percentuais;
- Quinta-feira (29): Itaú Unibanco modifica suas taxas, com acréscimo de aproximadamente 1 ponto percentual;
- Sexta-feira (30): Santander eleva sua taxa mínima de 11,69% para 12,49% ao ano, acrescida da Taxa Referencial (TR).
Em menos de cinco dias úteis, os três maiores bancos privados do país — Itaú, Bradesco e Santander — decidiram, de forma praticamente simultânea, reajustar as taxas de juros do crédito imobiliário. Coincidência? O mercado financeiro não acredita em coincidências.
Os números do reajuste: quanto ficou mais caro
Vejamos, em detalhes, o que aconteceu em cada instituição:
Santander
- Taxa anterior: 11,69% ao ano + TR;
- Taxa atual: 12,49% ao ano + TR;
- Acréscimo: 0,8 ponto percentual;
- Observação: mesmo com o aumento, o Santander passa a oferecer a menor taxa inicial entre os três concorrentes — e sua taxa permanece inferior à Selic, atualmente em 13,75% ao ano.
Itaú Unibanco
- Acréscimo: aproximadamente 1 ponto percentual;
- Observação: assim como o Santander, o Itaú mantém taxa abaixo da Selic.
Bradesco
- Acréscimo: 3,3 pontos percentuais — o mais agressivo dos três;
- Observação: com o reajuste, os juros cobrados pela maior parte dos clientes do Bradesco ultrapassaram o patamar da taxa básica — ou seja, estão acima dos 13,75% ao ano da Selic.
Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil
Procurados sobre a possibilidade de mudanças nas taxas, Caixa e Banco do Brasil informaram que estão em período de silêncio em razão da divulgação de seus resultados financeiros.
Mas a expectativa do mercado é de que, mais cedo ou mais tarde, ambos também reajustem suas taxas — especialmente a Caixa, que detém 48,6% do mercado de financiamento imobiliário e é a principal operadora dos recursos da poupança no setor.
O estouro do teto do SFH: o FGTS perde espaço
A mudança do Santander tem uma consequência particularmente grave para o cidadão brasileiro: com os juros mínimos em 12,49% ao ano, a instituição ultrapassou o limite de 12% estabelecido para operações enquadradas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
E não foi a única. Com os reajustes recentes, os três grandes bancos privados passam a trabalhar com taxas superiores ao teto do SFH.
O que isso significa na prática?
1. Migração para o SFI
Financiamentos que excedem o limite de 12% são enquadrados no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) — modalidade na qual as instituições têm liberdade para negociar os juros. Ou seja: menos regulação, mais flexibilidade para o banco, menos proteção para o consumidor.
2. Perda do acesso ao FGTS
A alteração afeta diretamente o acesso a recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O enquadramento no SFH é uma das condições para utilizar o saldo na aquisição da casa própria ou na redução do valor das prestações.
Traduzindo: o brasileiro que sonha em usar o FGTS para comprar seu imóvel ou abater prestações agora encontra uma porta a menos aberta. E essa porta, que já era estreita, ficou ainda mais estreita com os reajustes desta semana.
Por que os juros subiram? A explicação técnica — e a política
Os bancos, em suas manifestações oficiais, atribuem os reajustes a fatores técnicos. Itaú e Bradesco citaram o encarecimento dos juros praticados no mercado — um movimento observado depois do segundo turno das eleições.
O Santander, em nota, afirmou que “monitora periodicamente os indicadores da economia e o comportamento do mercado imobiliário” e que “avalia continuamente as condições de seus produtos de crédito” — mas não apresentou uma justificativa específica para o aumento.
A explicação técnica, porém, é conhecida:
1. A poupança perde espaço
A caderneta de poupança, historicamente uma das principais e mais baratas fontes de recursos para o setor imobiliário, vem perdendo participação. Dados do Banco Central mostram que sua fatia no financiamento imobiliário caiu de 34% em dezembro de 2023 para 29% em dezembro de 2025.
2. As LCIs ficam mais caras
Para compensar essa redução, as instituições financeiras passaram a recorrer com maior intensidade a alternativas como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) — cujos custos acompanham mais diretamente as expectativas para os juros futuros. Quando essas taxas aumentam, captar recursos fica mais caro — e parte dessa despesa acaba sendo repassada aos consumidores.
3. O mercado se antecipa ao Copom
A próxima decisão que poderá influenciar o custo do crédito no país será anunciada pelo Banco Central na semana que vem. O Comitê de Política Monetária (Copom) tem reunião marcada para os dias 3 e 4 de novembro, quando definirá o novo patamar da taxa Selic — atualmente em 13,75% ao ano.
O mercado já dá como certa uma nova elevação da Selic — e os bancos, como sempre fazem, se antecipam ao movimento e reajustam suas taxas antes mesmo da decisão oficial.
Mas a explicação verdadeira é política
Os fatores técnicos explicam o mecanismo. Mas não explicam a timing.
Por que os três maiores bancos privados do Brasil decidiram reajustar suas taxas exatamente na semana seguinte à reeleição de Lula?
Por que o mercado, que durante meses apostou na vitória de Flávio Bolsonaro — com o Ibovespa acima dos 208 mil pontos e o dólar controlado — agora eleva as expectativas de juros e repassa o custo ao consumidor?
A resposta é uma só: a reeleição de Lula mudou o cenário econômico.
E mudou em várias frentes:
1. A desconfiança na condução da política econômica
O mercado não confia na capacidade do governo Lula de conter o gasto público. As 35 medidas de benefício econômico editadas entre janeiro e outubro — sendo 12 delas já no período oficial de campanha — geraram um impacto fiscal de R$ 73 bilhões e sinalizaram que o segundo mandato petista será fiscalmente expansionista.
2. A pressão inflacionária
O aumento do gasto público, somado à expansão dos programas sociais e à desoneração de combustíveis, gera pressão inflacionária — o que obriga o Banco Central a elevar a Selic para conter a alta dos preços.
3. A fuga de investimentos
A desconfiança na condução econômica gera fuga de investimentos estrangeiros — o que, por sua vez, desvaloriza o real, eleva o risco-país e aumenta o custo do crédito.
4. A perda de credibilidade institucional
A perseguição judicial contra a oposição, o endosso do governo Trump a Flávio Bolsonaro, o editorial do Wall Street Journal classificando as medidas do STF como “revanche política” — tudo isso contribui para minar a credibilidade institucional do Brasil perante o mundo. E credibilidade, no mercado financeiro, se traduz em juros mais baixos.
O impacto em Manhuaçu e na Zona da Mata
Para Manhuaçu e toda a Zona da Mata mineira, o aumento dos juros do financiamento imobiliário tem um impacto direto e concreto.
Para quem sonha com a casa própria
O jovem casal que economiza há anos para dar entrada no primeiro imóvel vê, de uma hora para outra, a prestação mensal ficar mais cara. O pai de família que planejava usar o FGTS para abater prestações descobre que, com o enquadramento no SFI, não poderá mais usar o fundo. A família que esperava financiar um imóvel pelo SFH, com juros mais baixos e mais proteção, vê a porta se fechar.
Para o setor da construção civil
A construção civil, um dos motores da economia manhuaçuense, sente o impacto diretamente. Com juros mais altos, menos imóveis são financiados — e, portanto, menos imóveis são construídos. Pedreiros, arquitetos, engenheiros, corretores de imóveis, fornecedores de material de construção — todos sentem o golpe.
Para o comércio local
O comércio de material de construção, os móveis planejados, os eletrodomésticos — tudo que gira em torno da aquisição de um imóvel é impactado. Menos financiamento significa menos vendas — e menos vendas significam menos emprego e menos renda.
Para o cafeicultor
O cafeicultor que planejava investir parte de sua renda na aquisição de um imóvel na cidade — seja para moradia, seja como investimento — vê o custo do financiamento subir. E, em um cenário de juros altos, o investimento produtivo no campo também fica mais caro — porque o crédito rural, direta ou indiretamente, também é afetado pela elevação da Selic.
A ironia: Lula prometeu “casa para todos” — e entregou juros para todos
Há uma ironia particularmente cruel nesse episódio.
Durante a campanha, Lula prometeu “casa para todos” — uma variação do velho slogan petista de “minha casa, minha vida”. Prometeu expandir o acesso ao crédito imobiliário, facilitar a vida do primeiro imóvel, ajudar as famílias de baixa renda a realizarem o sonho da casa própria.
O que entregou, na prática, foi o oposto:
- Juros mais altos nos três maiores bancos privados;
- Estouro do teto do SFH — e, com ele, a perda do acesso ao FGTS;
- Menos crédito para quem mais precisa;
- Mais custo para quem já paga prestação.
A promessa de campanha se transformou, em menos de uma semana, em realidade de bolso. E a realidade, para o brasileiro comum, é que o sonho da casa própria ficou mais distante — não mais próximo.
O que esperar do Copom na próxima semana
A próxima decisão que poderá influenciar o custo do crédito no país será anunciada pelo Banco Central na semana que vem. O Copom se reúne nos dias 3 e 4 de novembro para definir o novo patamar da taxa Selic.
A expectativa do mercado, segundo o Boletim Focus mais recente, é de que a Selic seja elevada para 14,25% ao ano — o que significaria um novo recorde na série histórica do regime de metas de inflação.
Se a previsão se confirmar, o cenário para o crédito imobiliário será ainda mais desfavorável:
- Os bancos terão mais um motivo para reajustar suas taxas;
- A poupança perderá ainda mais espaço como fonte de recursos;
- As LCIs ficarão ainda mais caras;
- E o cidadão brasileiro verá, mais uma vez, o sonho da casa própria se afastar.
A responsabilidade é de Lula — e do mercado que apostou nele
É preciso ser claro: a responsabilidade pelo aumento dos juros do financiamento imobiliário é, em primeira instância, do governo Lula.
Foi a reeleição de Lula que mudou o cenário econômico. Foi a desconfiança na condução fiscal do petismo que elevou as expectativas de juros. Foi a perda de credibilidade institucional que afastou os investidores.
Mas é preciso ser honesto também sobre outro ponto: o mercado financeiro apostou em Lula durante boa parte da campanha.
Enquanto a direita brasileira denunciava os riscos de um segundo mandato petista, o Ibovespa subia, o dólar caía e os investidores estrangeiros faziam festa com a perspectiva de Lula no Planalto. O mercado, que hoje reajusta os juros do financiamento imobiliário, foi o mesmo que, durante meses, ignorou os alertas da direita e apostou na “normalidade institucional” do petismo.
Agora, o mercado paga o preço da sua miopia. E o cidadão brasileiro — especialmente o cidadão de Manhuaçu, da Zona da Mata e de todo o Brasil conservador — paga o preço da miopia do mercado.
O recado para o eleitor manhuaçuense
O ACM Notícias faz, nesta sexta-feira (30), um alerta ao eleitor manhuaçuense que, no domingo, votou em Lula ou se absteve de votar em Flávio Bolsonaro:
A conta chegou.
Os juros do financiamento imobiliário subiram. A prestação ficou mais cara. O FGTS perdeu espaço. O sonho da casa própria se afastou.
Isso não é “teoria da conspiração”. Não é “golpismo”. Não é “narrativa bolsonarista”. É realidade econômica — estampada nos sites dos três maiores bancos privados do país.
E a responsabilidade por essa realidade tem nome, sobrenome e partido: Luiz Inácio Lula da Silva, PT.
O ACM Notícias seguirá acompanhando, com independência e compromisso com a verdade, os desdobramentos da política econômica do governo Lula — e os impactos de suas decisões sobre a vida do cidadão manhuaçuense.
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Nota de responsabilidade editorial: Esta matéria foi produzida com base em informações publicadas pelo Direita Online e em dados oficiais divulgados pelos bancos Santander, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômoma Federal e Banco do Brasil, além de informações do Banco Central e da Abecip. As análises sobre a relação entre a reeleição de Lula e o aumento dos juros do financiamento imobiliário são interpretações jornalísticas baseadas no contexto econômico do país, e não constituem juízo de valor definitivo sobre as políticas que serão efetivamente implementadas pelo governo. O ACM Notícias ressalta que o mercado financeiro é influenciado por múltiplos fatores — internos e externos — e que a reeleição de Lula é apenas um dos elementos que explicam o atual cenário de juros.
Redação

