Ex-ministros, ex-tesoureiro do PT, ex-vice-presidente da Casa e ex-presidente do Congresso não conseguem retornar ao Legislativo; humorista, que foi o deputado mais votado do país em 2010, encerra ciclo de 16 anos como parlamentar
Por Redação ACM Notícias Publicado em 05/10/2026
O primeiro turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (4), deixou fora do Congresso Nacional uma série de nomes que marcaram — e, em muitos casos, abalaram — a política brasileira nas últimas duas décadas. Entre os derrotados estão ex-ministros, ex-tesoureiros de partidos, ex-presidentes da Câmara dos Deputados e até o deputado federal mais votado do país em 2010.
A tentativa de retorno ao Legislativo de figuras envolvidas em alguns dos maiores escândalos políticos da história recente do Brasil não encontrou eco junto ao eleitorado. O recado das urnas foi claro: a maioria desses personagens não conseguiu convencer o eleitor a lhes dar uma nova chance.
Os derrotados do PT: os nomes do Mensalão e da Lava Jato
Três antigos dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) que tentavam retornar à Câmara dos Deputados ficaram sem mandato. Todos eles foram condenados em algum dos grandes escândalos que marcaram a história recente do partido.
José Dirceu
Ex-ministro da Casa Civil no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu foi um dos principais condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do Mensalão. Também recebeu condenações no âmbito da Operação Lava Jato, posteriormente anuladas pela Corte. Tentou retornar à Câmara, mas não obteve votos suficientes.
Delúbio Soares

Ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares também foi condenado no julgamento do Mensalão e teve passagens pela Lava Jato, com condenações igualmente anuladas pelo STF. Assim como Dirceu, não conseguiu se reeleger.
André Vargas

Ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas foi condenado na Operação Lava Jato, mas também teve a condenação anulada pelo Supremo. Tentou retornar à Casa e também não obteve êxito.
Rui Falcão

Ex-presidente nacional do PT, Rui Falcão também ficou de fora da Câmara. Figura histórica do partido, ele não conseguiu convencer o eleitorado a lhe dar um novo mandato.
O único que conseguiu voltar: João Paulo Cunha

A tentativa de retorno à política era parte de um movimento que também incluía João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara e um dos principais condenados no processo do Mensalão. Dos quatro antigos quadros petistas que voltaram às urnas depois de cassações ou prisões — Dirceu, Delúbio, André Vargas e João Paulo Cunha —, Cunha foi o único que conseguiu retornar à Casa.
O resultado contrasta com a derrota dos demais e levanta questões sobre as diferenças regionais de eleitorado: enquanto os outros três não encontraram espaço junto aos eleitores, João Paulo Cunha conseguiu se reeleger por São Paulo.
Eduardo Cunha: a segunda derrota consecutiva

A lista de antigos personagens de grandes crises políticas que tentaram retornar ao Congresso inclui Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara. Hoje no Republicanos, Cunha concorreu por Minas Gerais — estado onde o ACM Notícias está sediado, em Manhuaçu.
Cunha presidiu a Câmara entre 2015 e 2016 e comandou o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Não conseguiu a cadeira. Foi a segunda eleição consecutiva em que tentou voltar à Câmara — e a segunda em que terminou derrotado.
A trajetória de Cunha é marcada pela cassação do mandato, em setembro de 2016, e pela prisão no âmbito da Operação Lava Jato. Após deixar o PMDB (hoje MDB), migrou para o Republicanos na tentativa de reconstruir sua carreira política — sem sucesso até o momento.
Tiririca: fim de um ciclo de 16 anos

Entre os candidatos conhecidos fora do núcleo tradicional da política, uma das derrotas mais simbólicas foi a de Tiririca. O humorista havia vencido todas as eleições para deputado federal que disputou desde a estreia nas urnas, em 2010.
Naquele ano, recebeu mais de 1,3 milhão de votos por São Paulo e tornou-se o deputado federal mais votado do país — um fenômeno eleitoral que surpreendeu analistas e estabeleceu um recorde que permaneceu por anos.
Depois de quatro mandatos consecutivos, Tiririca mudou o domicílio eleitoral e disputou a eleição de 2026 pelo PSD no Ceará. Desta vez, recebeu pouco mais de 5 mil votos. Aos 61 anos, ficará fora do Congresso pela primeira vez desde 2011.
A derrota de Tiririca encerra um ciclo que começou com o famoso jingle “Ei, você, não sabe com quem está falando? Eu sou Tiririca! Vote em Tiririca!” e que se consolidou como um dos fenômenos mais curiosos da política brasileira recente.
O que dizem os números
A derrota de nomes ligados ao PT — especialmente aqueles envolvidos nos escândalos do Mensalão e da Lava Jato — pode ser lida como mais um sintoma do desgaste do partido junto ao eleitorado, um tema que vem se repetindo em diferentes pleitos desde 2018.
Já a derrota de Eduardo Cunha e de Tiririca ilustra movimentos distintos, mas igualmente significativos: o eleitorado mineiro não deu a Cunha uma nova chance, e o eleitorado cearense não acolheu o humorista como acolheram os paulistas ao longo de quatro eleições consecutivas.
O resultado também reforça uma tendência observada nas eleições de 2026: o eleitorado brasileiro tem demonstrado disposição para renovar representações e punir figuras associadas a escândalos, independentemente de sua trajetória anterior.
A nova Câmara
A renovação da Câmara dos Deputados será um dos temas centrais das próximas semanas. Com a saída de nomes históricos e a entrada de novos parlamentares — muitos deles identificados com a direita e o bolsonarismo, como apontou a análise do comentarista Joel Pinheiro sobre a “avalanche bolsonarista” —, a composição da Casa tende a refletir o resultado das urnas de forma mais fiel do que nos últimos anos.
O ACM Notícias acompanhará os desdobramentos da nova composição do Congresso Nacional e o impacto das mudanças na relação de forças entre os Poderes.
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Nota de responsabilidade editorial: Esta matéria foi produzida com base em informações publicadas pelo veículo Direita Online e em dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As menções a condenações judiciais referem-se a processos que tiveram sentenças posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conforme a legislação vigente. O ACM Notícias ressalta que a soberania das urnas é um princípio fundamental da democracia brasileira, e o resultado das eleições deve ser respeitado independentemente de preferências políticas. Cabe ao eleitorado, por meio do voto, definir os rumos da representação política no país.
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