Mensagem do Banco do Brasil sobre antecipação do 13º salário com destaque para o número 13 em vermelho gera polêmica no dia da eleição

por Aloísio Moreira

Peça publicitária enviada pelo WhatsApp a clientes do segmento Estilo traz o número “13” em tamanho grande e na cor vermelha — mesma combinação associada ao candidato Lula (PT) — e foi disparada justamente no domingo do 1º turno; banco não respondeu aos questionamentos da imprensa

Por Redação ACM Notícias Publicado em 05/10/2026


Uma mensagem enviada pelo Banco do Brasil (BB) pelo WhatsApp a clientes do segmento BB Estilo na tarde deste domingo (4) — dia do primeiro turno das eleições presidenciais — chamou atenção nas redes sociais e gerou questionamentos sobre a oportunidade do disparo e os elementos visuais utilizados na peça publicitária.

Na mensagem, o número “13” aparece em tamanho destacado e na cor vermelha — a mesma combinação que, desde a redemocratização, identifica o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, cujo número na urna é 13 e cuja cor partidária é o vermelho.

O texto da peça afirma:

“No BB, você pode antecipar seu 13º salário para acelerar seus planos. Com a antecipação, você recebe o dinheiro na hora, para usar como quiser e não paga parcelas mensais. Antecipe agora mesmo!”


O que é o BB Estilo

A mensagem foi direcionada a clientes do segmento BB Estilo, voltado ao atendimento de pessoas de maior renda, com serviços diferenciados e assessoria financeira personalizada. O disparo, portanto, não atingiu a totalidade dos correntistas do banco — mas sim um público selecionado pela instituição.


A coincidência — ou não — que incomoda

Embora o número 13 seja naturalmente associado ao 13º salário — benefício pago anualmente a todos os trabalhadores com carteira assinada, aposentados e pensionistas —, a combinação de três fatores no mesmo material chamou a atenção de eleitores e analistas políticos:

  1. O número “13” em destaque — mesmo número de Lula na urna;
  2. A cor vermelha — tradicionalmente associada ao PT;
  3. A data do disparo — justamente o domingo do 1º turno das eleições presidenciais.

A sobreposição desses elementos, em um material de marketing de uma instituição financeira controlada pelo governo federal, reacendeu o debate sobre os limites entre comunicação institucional, política pública e propaganda eleitoral em períodos eleitorais.


O Banco do Brasil não respondeu

O site Poder360 questionou por e-mail o Banco do Brasil sobre:

  • Se as mensagens foram enviadas em massa para correntistas no domingo;
  • Quantas mensagens foram enviadas;
  • Por que o envio ocorreu justamente no dia da eleição.

Até a publicação desta matéria, o banco não havia respondido aos questionamentos.

Procurado pelo ACM Notícias, o Banco do Brasil também não se manifestou até o fechamento desta edição.


O histórico de polêmicas com estatais em períodos eleitorais

O episódio não é isolado. Ao longo das últimas décadas, o uso de empresas estatais em períodos eleitorais tem gerado recorrentes questionamentos sobre a isonomia entre candidatos e o uso da máquina pública em benefício de situacionistas.

A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), em seu artigo 73, veda aos agentes públicos, nos três meses que antecedem o pleito:

“distribuir gratuitamente bens, valores ou benefícios por parte da administração pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e em execução orçamentária no exercício anterior.”

Embora a antecipação do 13º salário seja um serviço bancário legítimo — oferecido por diversas instituições financeiras privadas e públicas — e não configure, em tese, distribuição gratuita de benefícios, a timing e a estética da mensagem levantaram suspeitas sobre a intenção por trás do disparo.


O que diz a legislação eleitoral

Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela imprensa observaram que, para configurar conduta vedada, seria necessário demonstrar:

  • Intenção de beneficiar determinado candidato ou partido;
  • Uso de recursos públicos de forma assimétrica;
  • Impacto concreto no equilíbrio da disputa.

A mera coincidência visual — ainda que chamativa — não seria suficiente, por si só, para caracterizar irregularidade. No entanto, o fato de o BB ser uma empresa de economia mista controlada pela União, com o presidente Lula como principal candidato do partido que nomeia sua cúpula dirigente, torna o episódio politicamente sensível.


Reações nas redes sociais

A imagem da mensagem circulou intensamente nas redes sociais ao longo da noite de domingo e da manhã desta segunda-feira (5). Internautas dividiram-se entre duas interpretações:

  • Críticos do governo Lula viram no episódio mais um caso de uso da máquina pública em benefício do petista — tese reforçada pelo fato de o BB ser controlado pelo governo federal;
  • Defensores do governo argumentaram que se trata de coincidência natural, uma vez que o 13º salário é, por definição, o “décimo terceiro” mês de remuneração, e que o vermelho é uma cor amplamente utilizada no marketing bancário.

O contexto: a antecipação do 13º como instrumento político

Vale lembrar que a antecipação do 13º salário é um instrumento tradicionalmente utilizado por governos em anos eleitorais para injetar liquidez na economia e estimular o consumo — movimento que tende a beneficiar o candidato situacionista.

Em 2022, por exemplo, o governo federal já havia autorizado a antecipação do 13º para aposentados e pensionistas do INSS como forma de aquecer a economia nos meses que antecederam o pleito. A medida, à época, foi alvo de questionamentos semelhantes.

Neste ano, a antecipação oferecida pelo BB a clientes do segmento Estilo segue a mesma lógica — mas o timing e a estética da mensagem, no dia da eleição, acabaram transformando um simples comunicado bancário em mais um episódio da polarizada disputa eleitoral brasileira.


O que se sabe — e o que ainda não se sabe

Até o fechamento desta matéria, os seguintes pontos permanecem sem esclarecimento oficial:

  • Quantas mensagens foram enviadas pelo BB no domingo;
  • Qual o critério utilizado para selecionar os clientes que receberam o disparo;
  • Se houve aprovação prévia da comunicação institucional do banco para o envio no dia da eleição;
  • Se a escolha do vermelho e do destaque para o número 13 foi intencional ou meramente casual;
  • Por que o banco não respondeu aos questionamentos da imprensa.

O ACM Notícias segue acompanhando o caso e atualizará esta matéria caso o Banco do Brasil se manifeste oficialmente.

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Nota de responsabilidade editorial: Esta matéria foi produzida com base em informações publicadas pelo Poder360 e pelo Direita Online, além de reprodução de mensagem enviada pelo Banco do Brasil a clientes do segmento BB Estilo. O ACM Notícias ressalta que a antecipação do 13º salário é um serviço bancário legítimo, oferecido por diversas instituições financeiras, e que a coincidência visual com elementos associados ao candidato Lula (PT) pode ter sido casual. No entanto, o fato de o Banco do Brasil ser uma instituição de economia mista controlada pela União, e de o disparo ter ocorrido no dia da eleição, torna o episódio politicamente sensível e digno de acompanhamento jornalístico. Cabe ao banco esclarecer os critérios e a intenção por trás da comunicação.

Redação

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