Levantamento divulgado neste domingo (12) aponta senador do PL com 53,1% dos votos válidos contra 46,9% do petista — diferença quase três vezes maior do que a registrada no primeiro turno; PoderData/Aya e Datafolha já haviam mostrado tendência semelhante
Por Redação ACM Notícias Publicado em 12/10/2026
A treze dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, uma nova pesquisa reforça a tendência de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento DataTrends, divulgado neste domingo (11), aponta o candidato do PL com 53,1% dos votos válidos, contra 46,9% do petista — uma diferença de 6,2 pontos percentuais, quase três vezes maior do que a registrada no primeiro turno.
O resultado é particularmente significativo porque, no primeiro turno, Flávio terminou com 47,04% dos votos válidos contra 45,15% de Lula — uma diferença de apenas 1,89 ponto. Agora, a vantagem do senador do PL cresceu de forma expressiva, consolidando a tendência observada desde a noite de 4 de outubro, quando o bolsonarismo varreu o Senado, conquistou os governos de São Paulo, Minas Gerais e dos três estados do Sul, e colocou Flávio na frente já na primeira etapa da disputa.
Os números da pesquisa DataTrends
A pesquisa DataTrends ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre os dias 7 e 9 de outubro de 2026. A margem de erro é de 2,19 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03576/2026, com custo informado de R$ 25 mil, pagos com recursos próprios.
Votos válidos
| Candidato | Votos válidos |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro (PL) | 53,1% |
| Lula (PT) | 46,9% |
| Diferença | 6,2 pontos |
A margem de 6,2 pontos está fora da margem de erro da pesquisa — o que significa que, tecnicamente, Flávio Bolsonaro aparece estatisticamente à frente de Lula, e não mais em empate técnico como apontavam algumas pesquisas do primeiro turno.
A consolidação da tendência
O resultado da DataTrends é consistente com outras pesquisas divulgadas nos últimos dias, que apontam uma tendência clara de crescimento de Flávio Bolsonaro no segundo turno:
Comparativo de pesquisas do segundo turno
| Instituto | Flávio (válidos) | Lula (válidos) | Diferença |
|---|---|---|---|
| DataTrends (7-9/out) | 53,1% | 46,9% | 6,2 pp |
| PoderData/Aya (5-7/out) | 53% | 47% | 6 pp |
| Datafolha (6-7/out) | 52% | 48% | 4 pp |
Os três levantamentos, embora com metodologias e amostras diferentes, convergem em um ponto: Flávio Bolsonaro ampliou sua vantagem em relação ao primeiro turno e consolida uma liderança que, até poucas semanas atrás, era considerada improvável pelas pesquisas tradicionais.
O que explica a virada?
Vários fatores ajudam a explicar o crescimento de Flávio Bolsonaro no segundo turno:
1. A “avalanche bolsonarista” do primeiro turno
O resultado do primeiro turno — com a direita conquistando os governos de São Paulo, Minas Gerais e dos três estados do Sul, além de eleger a maior bancada da história do Senado — criou um efeito manada que beneficia Flávio no segundo turno. A percepção de que a direita está em ascensão mobiliza eleitores indecisos e tende a atrair o voto útil conservador.
2. O apoio de Ronaldo Caiado
O anúncio do apoio do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) — que ficou em terceiro lugar no primeiro turno com 2,2% dos votos válidos — reforçou a candidatura de Flávio junto ao eleitorado conservador que não havia migrado integralmente para o bolsonarismo. Caiado é respeitado tanto pelo núcleo bolsonarista quanto por setores moderados da direita, e sua articulação tende a trazer votos adicionais para o candidato do PL.
3. O desgaste do governo Lula
A inflação em alta — com o IPCA de setembro subindo 0,82%, puxado por Habitação e Transportes —, a estagnação da popularidade do presidente (48% de aprovação contra 49% de desaprovação, segundo o Datafolha) e as revelações do caso Master — com as denúncias de Daniel Vorcaro sobre supostos pagamentos de R$ 30 milhões ao Instituto Lula — têm desgastado a imagem do petista junto ao eleitorado indeciso.
4. A reação do mercado financeiro
O Ibovespa batendo recordes históricos — aos 209 mil pontos — e o dólar caindo para R$ 4,98 sinalizam que o mercado financeiro aposta na vitória de Flávio Bolsonaro. Essa percepção tende a influenciar o eleitorado mais moderado, que associa a estabilidade econômica a uma gestão de centro-direita.
5. A tentativa desesperada do governo com os combustíveis
O pacote de R$ 5,2 bilhões ao mês em subsídios aos combustíveis, anunciado a 16 dias do segundo turno, foi amplamente interpretado como medida eleitoreira — e não surtiu o efeito desejado. A oposição classificou a medida como “tentativa desesperada de reverter tendência nas urnas”, e o eleitorado parece ter percebido a manobra.
O ato na Paulista
Em meio ao cenário favorável, a campanha de Flávio Bolsonaro já planeja os próximos passos. O senador anunciou um grande ato público na Avenida Paulista, em São Paulo, no próximo domingo (18). O evento, que deve reunir lideranças do PL, do Centrão e da direita brasileira, será o primeiro grande comício da campanha no segundo turno — e tem como objetivo consolidar a imagem de Flávio como presidente em espera.
A escolha da Paulista não é casual. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, e Flávio venceu o estado no primeiro turno com folga. Um ato multitudinar na principal avenida paulistana tende a reforçar a narrativa de vitória iminente e a mobilizar o eleitorado conservador para o último esforço de campanha antes do dia 25.
O que dizem os números absolutos
Se a tendência observada pelas pesquisas se confirmar nas urnas, Flávio Bolsonaro deverá vencer o segundo turno com uma margem confortável — algo que, há poucas semanas, era considerado improvável.
Considerando a abstenção do primeiro turno (21,8%) e os votos brancos e nulos (cerca de 5%), uma vantagem de 6,2 pontos percentuais nos votos válidos pode se traduzir em uma diferença de 4 a 5 milhões de votos em números absolutos — suficiente para garantir a vitória sem a necessidade de um segundo turno em 2030.
O desafio de Lula
Para reverter o cenário, a campanha de Lula precisa:
- Mobilizar o eleitorado petista que ficou em casa no primeiro turno — a abstenção foi de 21,8%, a mais alta da história para um primeiro turno;
- Atrair os votos de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e parte dos eleitores de Ronaldo Caiado (PSD) — tarefa que se mostra cada vez mais difícil com o apoio de Caiado a Flávio;
- Explorar o medo do bolsonarismo junto ao eleitorado moderado do Sudeste — estratégia que, até agora, não tem surtido o efeito desejado;
- Usar a caneta do governo para anunciar benefícios e medidas populistas — como o pacote de subsídios aos combustíveis — na esperança de ganhar simpatia do eleitorado indeciso.
Mas o tempo é curto. Treze dias não são suficientes para reverter uma tendência que se consolidou ao longo de meses — e que, agora, é confirmada por todas as pesquisas sérias do segundo turno.
O que está em jogo em 25 de outubro
O segundo turno das eleições presidenciais definirá não apenas o próximo presidente da República — mas também os rumos da política econômica, da relação com o Congresso, do papel do Estado na economia e da inserção do Brasil no cenário internacional.
As pesquisas apontam para uma vitória de Flávio Bolsonaro — mas, como ensina a história eleitoral brasileira, pesquisas são apenas retratos de um momento. O eleitorado tem a palavra final nas urnas, e o resultado de 25 de outubro só será conhecido na noite do próprio dia.
O que se sabe, até agora, é que a direita brasileira vive um momento histórico. Com o Senado mais conservador da história, os governos dos maiores estados do país e a vantagem nas pesquisas presidenciais, o bolsonarismo se consolida como a principal força política do Brasil — e Flávio Bolsonaro caminha para se tornar o próximo presidente da República.
O ACM Notícias acompanha em tempo real os desdobramentos do segundo turno e as pesquisas de intenção de voto rumo ao dia 25 de outubro.
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Nota de responsabilidade editorial: Esta matéria foi produzida com base em dados da pesquisa DataTrends registrada no TSE sob o número BR-03576/2026, e em informações complementares das pesquisas PoderData/Aya (BR-08134/2026) e Datafolha (BR-0949/2026). Os resultados apresentados refletem o momento da coleta de dados e podem sofrer alterações até o dia da eleição. O ACM Notícias ressalta que pesquisas de opinião são instrumentos importantes para o acompanhamento do cenário eleitoral, mas não constituem previsão definitiva do resultado das urnas. A soberania das urnas é um princípio fundamental da democracia brasileira, e o resultado das eleições deve ser respeitado independentemente de preferências políticas. Cabe ao eleitorado, por meio do voto, definir os rumos da representação política no país.
Redação

